Acabamos de comemorar Shavuot, a Festa da Outorga da Torá.

Este evento ficou caracterizado pela sua singularidade. Jamais  houve até hoje um ato público com tantas testemunhas oculares.

No sopé do Monte Sinai encontravam-se, pelo menos, três milhões de judeus que presenciaram este cenário Divino, vendo relâmpagos e trovões, ouvindo o shofar e a voz Divina penetrante; eles testemunharam aleijados andando, surdos ouvindo e cegos enxergando.

Pense: até os nossos dias, não houve nada comparável, embora uma partida de futebol possa ser assistida por centenas de milhões de pessoas, estas são apenas telespectadores que a assistem via satélite.

Até mesmo Woodstock e outras grandes manifestações públicas não tiveram nem mesmo três milhões de testemunhas.

Uma prova histórica irrefutável da Divindade da Torá”, nos ensina o Lubavitcher Rebe.

Cumprindo ordens Divinas

Imaginemos em nossa época cinquenta pais que se reúnem numa sala. Eles resolvem contar para seus filhos que D’us apareceu para eles em uma visão. Nela, o todo-Poderoso pede que usem camisa com listras verdes e gravata vermelha. Qual seria a reação dos filhos ao ouvir isto? Certamente os pais ficaram loucos!

No entanto, quando foram dadas as ordens Divinas para enrolar tiras pretas no braço, vestir franjas brancas na roupa, usar talit azulado nos ombros e cubos de couro na cabeça, ninguém as recusou. Assim, todos começaram a praticá-las sem duvidar do seu caráter transcendental. Havia coerência e razão para se pensar no âmbito da fé.

Atualmente, nem todos as praticam. Porém, no início, todos certamente o fizeram, se não haveria dois tipos de judaísmo.

Após esta introdução permeada de lógica, o que mais me espanta é a atitude incoerente de alguns irmãos. Todos os dias eles se ocupam das mais diversas atividades: vão de metrô para o trabalho, andam de táxi, comem em bares e restaurantes, tratam-se com médicos, viajam de avião.

Na realidade, ninguém pensa em se informar se o motorista do táxi ou do metrô sabem realmente dirigir. Tampouco ainda pensam em estudar a fundo a mecânica destes veículos.

A confiança implícita

A razão por que ninguém pergunta é pelo fato de que as pessoas confiam que os motoristas e pilotos sejam habilitados.

Ninguém fiscaliza a cozinha e os alimentos do restaurante, nem faz curso de gastronomia ou culinária, ou confere o prazo de validade dos produtos consumidos. Apenas confiam.

É de senso comum que nenhuma pessoa sequer cogita fazer um curso de aerodinâmica antes de entrar num avião. Isso vale também para um curso de farmacologia e química orgânica antes de tomar um medicamento. Basta usar um avental branco que ele confia. Porém, quando se trata de judaísmo: “Eu não coloca tefilin enquanto não entender o que ele significa; “Casher?! Não como até que saiba o motivo”.

Em busca da coerência e razão

Voltemos à autenticidade e tentemos ser coerentes. Coerência e razão de mãos dadas. Similarmente, quanto mais rápido um doente tomar o remédio, mais rápido ficará curado e poderá se aprofundar nos estudos de química orgânica. Quanto mais rápido um judeu colocar tefilin, mais rápido entenderá o significado dos filactérios.

A própria observância dos mandamentos cria um elo imediato com D’us e desenvolve forças adicionais que farão com que apreciemos e compreendamos as mitsvot.

Enfim, se tanto confiamos nos homens — motoristas, cozinheiros, médicos, pilotos —por que não confiar n’Aquele que os criou, o Todo Poderoso, que nos outorgou Sua sabedoria Divina, a Torá?
(Matéria publicada no Jornal Tribuna Judaica)

Leia e/ou imprima este artigo em PDF