Os avanços tecnológicos e novas descobertas da ciência sempre são bem recebidos pelo judaísmo. Assim, ciência e judaísmo são perfeitamente compatíveis desde que a primeira vise o benefício do ser humano primordialmente. Isso de acordo com o rabino David Weitman, da Congregação Sefardi Paulista e diretor do centro judaico Beit Chabad Morumbi.

Ele alerta, no entanto, que o bom senso deve prevalecer, com regras de ética e a moral elevada para que as novidades sejam utilizadas apenas para o bem do ser humano e não para a sua destruição.

“Bem no início da Torá, nós temos a história de um descendente de Cain, que se chamava Tuval Cain — em hebraico, ‘melhor do que Cain’ — e foi o primeiro ferreiro.

Ele poderia ter feito um garfo para comer, instrumentos de música e outros objetos para ajudar o nosso cotidiano; mas acabou fazendo armas”, conta o rabino.

Nos dias atuais, Weitman cita o mapeamento do genoma humano como um passo muito importante, que pode levar à cura de doenças e melhorar a qualidade de vida, mas insiste que não podemos esquecer que, por outro lado, há o perigo de surgirem pessoas inescrupulosas que fariam mau uso destas descobertas.

Ciência e Judaísmo

Sobre a relação entre ciência e judaísmo, o rabino diz que não há problemas.

“Quando alguém está doente e precisa comer em Yom Kipur, quem vai decidir isso é o médico; se ele diz que a pessoa está com a saúde enfraquecida e não deve jejuar, o rabino acata a decisão.

No judaísmo, é preciso saber de astronomia, para fazer os cálculos do calendário; precisa entender de biologia, para saber se os animais são kasher ou não, por exemplo”.

Weitman também acredita que a tecnologia moderna facilitou o judaísmo, com novos sistemas de timer para serem utilizados no Shabat e máquinas que mantém a comida sempre quente, como se tivessem acabado de sair do forno.

“Uma prova de que ciência e judaísmo combinam é a recente escolha de um judeu praticante, que guarda o Shabat, estar quase chegando a um dos principais cargos de uma nação que está na vanguarda de tudo que é high-tech”, afirma ele, referindo-se á indicação do senador Joseph Lieberman para disputar a vice-presidência dos Estados Unidos na chapa do democrata Al Gore.

Sobre transgênicos

No caso dos alimentos modificados geneticamente, o rabino lembra que, de acordo com a religião, não há proibição de melhorar a comida do ser humano.

“Obviamente que os ingredientes têm de ser casher, mas se queremos tomates compridos, em vez de redondos; ou mais vermelhos, não tem problema”.

Segundo ele, “precisamos tomar cuidado para que estas modificações não atentem contra a natureza que D’us criou. Assim, um judeu não pode cruzar animais, frutas ou plantas de espécies diferentes. Assim como o homem tem que se relacionar com uma mulher e não com um ser do mesmo sexo do que ele”.

Weitman enumera como exemplos a mula, que é estéril. Ela é fruto do cruzamento de uma jumenta com um cavalo; e a nectarina, um híbrido de pêssego com outra fruta. Ela até é casher, mas não pode ser cultivado por um judeu.

“D’us está contra tudo que é antinatural e o homem deve saber que não pode brincar de ser o Criador. Ele tem de respeitar as leis da natureza. Os nossos sábios do Talmud dizem que, mesmo que se juntem todos os cientistas do mundo em um laboratório, não serão capazes de criar um mosquito a partir do nada, isso é impossível”.

Ainda sobre o Talmud, o rabino lembra que muitos sábios religiosos também foram cientistas. Daí surgiram inúmeras descobertas científicas, as quais já haviam sido antecipadas pelo judaísmo. Assim foi com a Revolução Industrial e com a declaração de que a Terra é redonda. Também em relação à música que faz as plantas crescerem mais rápidas e mais bonitas. Igualmente em relação aos golfinhos, pois, ao contrário do que muitos pensam, são os animais mais próximos do homem já que se comunicam de forma semelhante à nossa.

Baixe o App do Legal Saber no seu celular


Legal Saber JUDAÍSMO!
Estudando a filosofia chassídica
Um rebe no inferno nazista
Artes Plásticas e Judaísmo: “Os Quatro Vagões de Sobrevivência” de Gershon Knispel
Templos, profetas e sábios
Um memorial para a imigração judaica no Brasil
Rashi – O mestre do povo judeu
O sentido da oração
O Brasil recebe as comunidades judaicas
Criptojudaísmo e conversos
Reencarnação e Judaísmo
OS JUDEUS ORIUNDOS DO EGITO
Como o judaísmo encara os objetos voadores não identificados e a possibilidade de vida em outros planetas?
Não adianta transmitir um judaísmo adaptado e maquiado, Judaísmo é um privilégio.
O tesouro dos conselhos do Rebe de Lubavitch
A Rainha Ester nos dias de hoje
A sabedoria do Rei Salomão: Provérbios
A grande dedicação de Ruth, mulher exemplar
A sabedoria do Rei Salomão: Cântico dos Cânticos
A sabedoria do Rei Salomão: Eclesíastes
O significado do 45º aniversário
Usando a tecnologia a favor da Torá
Tratado sobre as ressurreição de Maimônides
Os três componentes do universo
RABI LEVI YITSCHAK DE BERDITCHEV – O DEFENSOR DO POVO JUDEU
O Holocausto não é um castigo
Ouvindo as mensagens da vida
OS JUDEUS NOS PAÍSES MUÇULMANOS
A ESTRUTURA DO TANACH (A BÍBLIA JUDAICA)
O respeito devido à oração do Cadish
O perigo das drogas e dos vícios
O perigo da alienação e do casamento misto
O pensamento chassídico sobre a Criação
O papel da mulher no Judaísmo
ALEPO, EXEMPLO DE ERUDIÇÃO E BENEVOLÊNCIA
O propósito de nossa existência
O BAAL SHEM TOV E O AMOR INCONDICIONAL
Kitsur Shulchan Aruch – A obra prima da lei judaica
JERUSALÉM, OLHO DO UNIVERSO
IMIGRAÇÃO JUDAICA: DE SHTETEL PARA AS COLÔNIAS NO SUL DO BRASIL
PORQUE CONTAR AS HISTÓRIAS CATIVANTES DO REBE DE LUBAVITCH?
DESENVOLVENDO NOSSO CARÁTER
Fé e ciência
Dando sentido e significado em nossa vida
OS CONFLITOS NA TERRA SANTA
Casher hoje
+