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RABINO, ESTOU MUITO INTERESSADO EM ESTUDAR CABALÁ, MAS NÃO SEI POR ONDE E COMO COMEÇAR. A RESPOSTA QUE ME ERA DADA, “É MELHOR NÃO SE METER NISSO”, NÃO ME SATISFAZ MAIS. A PERGUNTA É, ENTÃO, O QUE FAZER?

A volta entre os judeus para a mística judaica é um fato que não pode ser negado. Atualmente, o interesse pelo esotérico e pelo místico é um fenômeno observado entre todas as crenças e religiões. Uma síntese para retomar o assunto da cabalá com o Rabino David Weitman.

.Existe uma grande procura por ensinamentos que possam tocar a alma, os sentidos, o íntimo da pessoa. Os dogmas e a prática religiosa não conseguem mais preencher as necessidades espirituais de todos os seres humanos.

Mas esta procura pelo místico, pelo esotérico, deve ser cuidadosamente direcionada para que seja algo positivo, e não algo que possa prejudicar; então, para melhor responder a esta pergunta vamos dividi-la nos vários aspectos que devem ser analisados.

O QUE É A CABALÁ?

É importante entender antes de qualquer coisa, o que é realmente a Cabalá, já que, infelizmente, no Brasil, esse termo foi tão banalizado que até sua pronúncia foi deturpada.

Fala- se “cabála” quando na verdade a pronúncia judaica (a verdadeira, já que ela é parte integrante do judaísmo) é Cabalá.

Assim como o homem possui vestimentas, corpo e alma, também a Torá tem estas três partes. As vestimentas da Torá são as histórias nela contida, o corpo da Torá são os mandamentos (mitsvot) e a alma da Torá é a mística, a Cabalá.

Seguindo com o assunto da cabalá com o Rabino David Weitman:

A Cabalá é a forma mística de interpretação da Torá conforme esta foi dada por D’s no Monte Sinai. O Todo Poderoso ao outorgar a Torá a Moisés e ao povo de Israel revelou a explicação simples e literária das leis, assim como os mistérios da Criação, das letras hebraicas e seus poderes, os nomes dos anjos e os diferentes Nomes Divinos, etc.

Todos estes segredos místicos encontram-se entrelaçados entre as letras e as palavras da Torá e chamam-se Torat Hanistar, a parte oculta da Torá, ou Cabalá.

Durante séculos, o estudo e o conhecimento destes mistérios ficaram cuidadosamente guardados entre os judeus por seus sábios e foram transmitidos, de geração em geração, apenas para à uma elite de eruditos.

Somente uma camada muito pequena do povo de Israel tinha acesso aos segredos da Cabalá até o surgimento do Arizal (Rabi Yitschak Luria), do Maharal de Praga, do Rabi Moshe Chaim Luzzatto, do Baal Shem Tov e de outros grandes sábios, que foram, aos poucos, revelando essa sabedoria.

PORQUE EXISTE HOJE UMA VERDADEIRA SEDE POR ENSINAMENTOS MÍSTICOS, PARA ESTA PARTE, MAIS VELADA DA TORÁ?

Segundo nossos sábios, a época que antecipa o período messiânico será marcada por uma intensa procura pelos ensinamentos místicos da Torá. Isto porque o Mashiach vai revelar a todos, mesmo a grandes profetas como Moisés e Aaron, a totalidade dos segredos da Torá.

Hoje já existe entre os homens a vontade de experimentar os legados místicos, os segredos da Torá, os “alimentos espirituais” que serão degustados na época messiânica, o Shabat da Criação.

Podemos comparar esta vontade com a obrigação de experimentar dos alimentos do Shabat nas sextas-feiras à tarde, ao ver a preparação da ceia do Shabat.

Cabalá com o Rabino David Weitman esclarece

Há, ainda, um outro motivo que está levando os judeus a procurarem explicações espirituais mais profundas. A tentativa de entender o que aconteceu com nosso povo neste século: a saída do gueto, o contato com filosofias e culturas laicas e as grandes tragédias como o Holocausto e a assimilação.

Deparando-se com estas realidades, a maioria dos judeus não se contenta mais em ouvir leis objetivas e mandamentos do que fazer ou não, sem conhecer as explicações, cujos motivos estão intimamente ligados aos ensinamentos profundos e místicos.

PORQUE DEVEMOS ALERTAR AS PESSOAS QUE QUEREM ESTUDAR CABALÁ?

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Ultimamente, a corrida desenfreada a tudo que seja (ou pretenda ser) esotérico tornou-se perigosa.

Infelizmente, devido à “demanda” por algo espiritual, criou-se em torno da Cabalá um grande mercado para todo tipo de “produto místico”.

As pessoas que proporcionam um acesso rápido e fácil ao misticismo não são necessariamente pessoas bem intencionadas. Muitas vezes, eles oferecem soluções fáceis, querendo aliviar a pessoa, bem como o seu bolso, vendendo frequentemente objetos de culto e amuletos a preços exorbitantes.

Atualmente, uma grande quantidade de livros com traduções baratas sobre a Cabalá podem ser encontrados nas livrarias.

Assim o assunto cabalá com o Rabino David Weitman ganha ainda maior interesse:

Nem todos, porém são “casher”. Nenhum livro escrito por autores contemporâneos e que trate do tema “Cabalá” pode ser consultado. Quem sabe apenas como  introdução a aprovação de alguma autoridade ortodoxa versada, reconhecida por todos.

Hoje em dia, existem até livros de bolso traduzidos sobre Cabalá. Qualquer pessoa pode entrar numa livraria e comprar livros com explicações do Zohar. Ou do livro da Criação, o Bahir, e outros textos profundíssimos. São livros que para serem realmente compreendidos necessitam de um grande preparo e anos de estudos.

Como se não bastasse, em muitos casos as traduções das obras são mal feitas; o tradutor simplesmente traduziu o sentido literário sem entender absolutamente nada do conteúdo.

A COMPREENSIBILIDADE DOS CONCEITOS É FUNDAMENTAL

Se o tradutor não entendeu o sentido, o traduziu mal, na outra ponta tem o leitor é despreparado. Assim, sem o conhecimento suficiente para avaliar se aquilo o que está lendo está certo, o resultado final é, no mínimo, uma grande confusão mental por parte do leitor.

O mal disto é que ele vai se desviar também de conceitos e interpretações da Torá menos profundas. Entretanto nem por isto menos importantes. Assim se inicia um processo de afastamento da Torá.

Cabalá com o Rabino David Weitman pontua a necessidade de professores preparados

Além de livros, existem também centros e cursos com professores inadequadamente preparados, que tentam ensinar segredos místicos.

Muitas vezes são pessoas que não tem a sensibilidade, nem capacidade, de penetrar e explicar o mundo espiritual. Às vezes, eles mesmos leram esses livros místicos de forma superficial e não os entenderam realmente.

Quando professores despreparados e inadequados tentam ensinar aspectos da Cabalá, o resultado torna-se prejudicial e deixa os alunos perplexos e perdidos. Estes tornam-se frágeis e vulneráveis e, frequentemente, acabam em seitas estranhas e contrárias ao judaísmo.

EXISTE UM PERIGO REAL PARA A PESSOA DESPREPARADA?

Muitos dos primeiros sábios cabalistas que escreveram obras neste campo, cientes de que estas poderiam cair em mãos laicas, fizeram questão de redigir os Nomes Divinos ou de anjos com erros, evitando, assim, a profanação ou mau uso de nomes tão poderosos.

Um verdadeiro sábio versado no assunto perceberá este expediente imediatamente. Um leigo não. Mas, ocorre que hoje todas as traduções baratas existentes copiam os diagramas e desenhos cabalísticos mantendo as falhas originais.

Perigo real: o assunto da cabalá com o Rabino David Weitman continua:

Este triste fato, por si só, já induz o leitor despreparado ao erro. Este leitor pode querer se aventurar pela Cabalá prática fazendo um só dos Nomes Divinos. Se assim o fizer, ele nem imagina o perigo real a que está sujeito.

Ele e aqueles ao seu redor. Como sabemos, o uso equivocado ou mal-uso dos nomes de D’us, sempre produziram resultados nefastos. Fiquemos só no decorrer da história do povo de Israel (o episódio do Bezerro de Ouro, a estátua de Nabucodonossor na Babilônia, etc).

Algo fundamental no estudo da Cabalá é estar treinado para raciocinar mentalmente em um nível abstrato. É preciso treinar o lado conceitual, lidando com uma infinidade de ideias.

Cabalá com o Rabino David Weitman expõe um fator crucial no estudo de Cabalá

Apesar da Cabalá ser baseada em parábolas, comparações e metáforas, quem não consegue abstrair, nunca chegará a enxergar o brilho do conceito místico.

COMPREENSÃO DA MENSAGEM CONTIDA NA PARÁBOLA

Quem não consegue ver o conceito que está por trás da parábola, não vai entender a mensagem contida. Mas pode chegar até a concretizar algo muito espiritual e elevado.

A pessoa que não está preparada e tem acesso a esses conceitos acaba se confundindo e prejudicando a si própria. Pode ser vítima de um efeito “bumerangue”.

A título de exemplo apenas. Se alguém criar um golem, mas não tiver ideia de como dominá-lo ou fazê-lo desaparecer, este acabará ferindo a própria pessoa que o criou. O fenômeno, na literatura laica, é o  Frankenstein.

A Cabalá é um conhecimento, uma sabedoria dificílima de ser entendida, cuja fonte é muito elevada e sagrada. Pode ser muito prejudicial manuseá-la sem o preparo e a pureza necessária.

CABALÁ COM O RABINO DAVID WEITMAN É O TEMA DA ENTREVISTA, ENTÃO A PERGUNTA: QUEM PODE ENSINAR A CABALÁ E QUEM PODE ESTUDÁ-LA?

A palavra Cabalá tem dois significados literais: “recebimento” e “tradição”.

A Cabalá é uma tradição milenar. Um ensinamento, uma sabedoria que durante milênios passava oralmente de mestre para discípulo, não permanecendo ao alcance de qualquer judeu.

Eram necessárias inúmeras condições para fazer parte do círculo restrito de místicos (nistarim), estudiosos que conheciam seus segredos.

Os alunos eram escolhidos cuidadosamente pelos mestres. Todos que partilhavam estes segredos os haviam recebido, da mesma forma, de um mestre, um erudito no assunto, formando assim uma corrente de sabedoria.

Cabalá com o Rabino David Weitman elucida questões

Apesar de “Cabalá” ser o termo usado hoje, a palavra correta utilizada para definir a mística judaica é Chochmá Nistara, a sabedoria oculta.

Nistar, é a palavra que se refere realmente ao Sod da Torá (Torat HasSod), a Torá dos segredos, dos mistérios. Usamos o termo Cabalá para demonstrar que esta deve ser algo que passou obrigatoriamente de um mestre capacitado para um discípulo. Isso por si só garante a autenticidade dos ensinamentos.

O PROFESSOR

Antes de tudo é importante saber que existem poucos cabalistas e professores aptos a ensinar Cabalá. E não somente são poucos, em número, mas também normalmente não são viajantes itinerantes que erram pelo mundo, em busca de adeptos.

São pessoas mais discretas; seus cursos não causam estardalhaço e não são tão divulgados. O cabalista, via de regra, é uma pessoa que você reconhece facilmente pela forma de agir, pelo refinamento do caráter e assim por diante.

É, obviamente, um homem que segue o Shulchan Aruch. Alguém que segue literalmente todas as leis do judaísmo, tanto os mandamentos positivos, como os proibitivos. É um homem absolutamente minucioso na lei judaica. Mas isto ainda não é suficiente; ele deve seguir também os costumes de conduta cabalísticos.

Não pode haver incoerência ou dissonância: a cabalá com o Rabino David Weitman prossegue:

Não é possível alguém ensinar a Cabalá, e desprezá-la com seu comportamento. Isto seria burlesco. Em matéria de judaísmo não é possível ensinar uma coisa e fazer outra.

Na ciência há essa possibilidade. Um médico pode ser o maior em sua área e continuar a fumar, apesar de ele saber melhor do que qualquer outro que isso prejudica a saúde.

Poderá não ser um ato muito inteligente, mas não vai diminuir em nada seu conhecimento científico.

No judaísmo, não há a possibilidade de dois pesos e duas medidas. A pessoa que ensina a Cabalá tem de ser realmente uma pessoa absolutamente temente a D’us, humilde, e possuir todas as virtudes de caráter e todos os seus comportamentos de acordo com a Torá.

Tendo estas qualidades, tendo recebido os seus conhecimentos de um mestre e os apreendido, tendo a capacidade de ensinar, eventualmente essa pessoa poderá se tornar um professor de ensinamentos místicos.

O ALUNO

É obvio que não há a possibilidade de um aluno se envolver imediatamente em assuntos cabalísticos e estudar a mística judaica sem ter conhecimento prévio do texto bíblico, talmúdico e assim por diante.

Existem estágios que devem ser seguidos, que são muito importantes. São os mesmos procedimentos necessários ao estudo de qualquer matéria, seja matemática, física, etc.

Ninguém pode se aventurar no estudo de um diferencial e uma integral, a não ser que tenha uma base sólida de álgebra.

O assunto da cabalá com o Rabino David Weitman continua:

A necessidade de ter uma sólida base teórica é verdadeira também no estudo da Cabalá. A pessoa tem de começar pelo início, aprender as letras hebraicas, a leitura, se aprofundar no texto do Tanach, na Torá, aprender a Mishná, bem como o Talmud e, pouco a pouco, poderá se aprofundar.

Pulando as etapas, a pessoa não vai conseguir entender nada, vai confundir-se e absorver conteúdos antes do tempo.

Sabemos que quando uma criança brinca com brinquedos que não são para a sua idade, assim chegar a hora de aproveitá-los da melhor forma possível, o interesse já desapareceu e ela perderá a oportunidade de usufruir de algo bom para ela.

O assunto é idêntico no que se refere ao esoterismo judaico. “Criança” não é necessariamente aplicado a alguém tenro em idade, mas também em conhecimento. Assim também o estudo da Cabalá tem de ser gradativo, na hora certa com a pessoa certa e com a pessoa capaz, após “encher-se” de bastante conhecimento judaico. (citando Rabi Chaim Vital: após encher a barriga de carne e vinho)

A LUZ DE TUDO ISTO, COMO DEVE PROCEDER AQUELE QUE TEM SEDE DE CABALÁ? APÓS TER VISTO AS RESTRIÇÕES ACIMA MENCIONADAS, COMO FICA ENTÃO QUANDO ALGUÉM DESEJA REALMENTE ESTUDAR A PARTE MÍSTICA DA TORÁ (SOD)?

Bem, se ele preenche os pré-requisitos mencionados e tem o professor adequado, poderá estudar esta ciência, conforme explicado acima.

Mas, o fato é que a grande maioria do Povo judeu, que não possui o conhecimento básico necessário, também tem o direito de conhecer esta faceta da Torá.

É sabido que cada judeu deve, ao final da missão de sua alma, ter aprendido as quatro interpretações da Torá (literal, midrashica, alusiva e mística).

O assunto da cabalá com o Rabino David Weitman revela:

Também sabemos que o Arizal afirmou que atingimos a época de divulgação dos ensinamentos cabalísticos. Além do mais, de acordo com os sinais presentes no Talmud, estamos às vésperas da era messiânica. Estes mistérios então estarão ainda mais revelados. Diante disto, como devem se portar aqueles incluídos neste grupo?

Atualmente, a melhor solução é, primeiro, não cair nas mãos de professores inaptos. Estes podem eventualmente se aproveitar de sua sede pelo lado espiritual da vida.

Depois, buscar lugares autênticos que ensinem a Cabalá. Mas não em sua forma pura e cristalina, e sim os seus ensinamentos e conceitos. Tudo de forma acessível. As escolas que assim procedem são as que ministram a Chassidut. Há, igualmente, algumas obras de Mussar (Rabino M. Chaim Luzzatto) ou os clássicos do Maharal de Praga, Rabi Tsadok HaCohen, etc.

Estas escolas estão especializadas em transmitir conceitos cabalísticos de forma popular e inteligível.

O QUE ENCONTRAR NOS DIAS DE HOJE

Nos dias de hoje, encontramos cursos e livros reconhecidamente “casher”, escritos e preparados por pessoas adequadas. Essas pessoas tratam de passar o misticismo da Cabalá compreensivelmente, com o auxílio de exemplos e alegorias. O intuito é transmitir o abstrato mas de um jeito “digerível” aos ainda sensíveis organismos dos iniciantes.

O ideal é encontrar um mestre competente. Uma pessoa que possua o discernimento para aconselhar o melhor caminho nestes estudos. O que, é que permitido e mais recomendável para saciar a sede das nossas almas pela parte íntima da Torá.

(Publicada na Revista Morashá em junho de 1998)

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Fonte: chabad.pt

 

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