Antes das respostas sobre esses temas, vale dizer que o Brit Milá e Bar Mitsvá são uma espécie de ritos de passagem do menino judeu segundo a tradição judaica. Assim, vamos entender cada um de acordo com o que nos ensina o Rabino David Weitman. Lembrando que Brit Milá e Bar Mitsvá são especificidades relacionadas ao judeu do sexo masculino.

QUAL É A ORIGEM DA CIRCUNCISÃO?

A circuncisão é absolutamente obrigatória e data desde a época de Avraham Avinu, sendo chamada de Pacto de Abraão.

Cada menino judeu é obrigado a realizá-la porque D’us faz questão que todo judeu tenha um sinal em seu corpo, em sua pele.

Fisicamente, o homem terá algo a carregar consigo, fazendo-o lembrar constantemente de seu Judaísmo.

O simbolismo que há por trás disso nos ensina que o homem não é perfeito e que precisa se aperfeiçoar, sendo necessário retirar o prepúcio para melhorar.

A circuncisão é feita no oitavo dia. Dizem nossos sábios que o fato de ele ser no oitavo dia é como o homem que procura um Rei. O Rei o aconselha a procurar primeiro a Rainha. Da mesma forma, cada menino, antes de se ligar com o Rei de todos os Reis, tem de passar primeiro pela Rainha, que é o Shabat. E para passar um Shabat antes da realização do Berit Milá, este deve ser feito no oitavo dia.

QUAL É O SIGNIFICADO DA CADEIRA DO PROFETA ELIAHU?

Na hora do Berit Milá, a criança é carregada pelo Kvater e depois colocada em uma cadeira especial chamada “Kissê Shel Eliahu Hanavi”, isto é, a cadeira do Profeta Elias.

De acordo com nossa tradição, o Profeta Elias está presente em cada Berit Milá. Conta-se que certa vez, ele duvidou da fidelidade do Povo de Israel e D’us então lhe disse que ele testemunharia o pacto e veria que cada família judia não esquece seu convênio com D’us.

O Profeta Elias é também um anjo protetor que anuncia boas novas e está sempre presente nesse momento.

Brit Milá e Bar Mitsvá. Duas ocasiões especiais do menino judeu em que o Profeta Elias traz suas mais refinadas emanações.

QUAL É A RAZÃO DO PIDION HABEN?

O Pidion HaBen é feito no trigésimo primeiro dia após o nascimento da criança.

O Pidion é o resgate do primogênito, sendo efetuado somente sob algumas condições: quando o filho for o primeiro, sem aborto anterior, do sexo masculino, nascido de parto normal e seu pai e sua mãe não forem filhos de Cohen ou Levi.

Os primogênitos eram predestinados a trabalhar no Templo. Quando D-us os salvou no Egito, matando os primogênitos egípcios, os primogênitos judeus passaram a “pertencer” a D’us.

No deserto, ao participar do pecado do bezerro de ouro, os primogênitos foram substituídos pelos Cohanim, sacerdotes, mas continuaram pertencendo a D’us.

Assim sendo, o pai da criança primogênita precisa redimí-la do representante de D’us, que é um Cohen. Ele oferece cinco moedas de prata ao Cohen e recebe seu filho de volta. Isto é o Pidion HaBen, ou seja, o resgate do filho mais velho.

O QUE REPRESENTA A CELEBRAÇÃO DO BAR MITSVÁ?

O Bar-Mitsvá é celebrado aos treze anos pelos meninos e o Bat-mitsvá aos doze, pelas meninas, uma vez que o Judaísmo acredita que estas últimas se desenvolvem mais rapidamente, sendo mais precoces.

O Bar-mitsvá não é apenas uma festa; aos treze anos o menino tem a obrigação de cumprir as Mitsvot. A partir desse dia, ele é considerado um judeu maior pela Lei Judaica, como qualquer adulto. Então, sua primeira obrigação é colocar os Tefilin, se o Bar-mitsvá cair em um dia da semana.

Há um costume de dar ao jovem uma Aliá la Torá para que ele possa recitar as bênçãos da Torá. Esta é uma forma de mostrar que a partir de então, ele faz parte do Minian, é um adulto.

Apesar de a festa ser importante, o principal é a entrada do jovem em sua maioridade religiosa, colocando os Tefilin, subindo na Torá e iniciando o cumprimento das Mitsvot em geral.

Assim, temos uma panorâmica explicação sobre o Brit Milá e Bar Mitsvá.

(Publicado na Revista Morashá em abril 2000)

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