O Chassidismo, desde a época de seu fundador, o Baal Shem Tov ― que ora completa 307 anos de nascimento, sempre manifestou profundo interesse e notável ênfase na educação de crianças e jovens.
O próprio Baal Shem Tov, antes de se revelar como o justo que conhecemos, trabalhou como ajudante de professor (em iídiche, “bahelfer”), levando crianças para o Talmud Torá. Ele já sabia, é óbvio, que o futuro do Judaísmo residia na dedicação a elas.
Segundo o Mestre, os próprios anjos celestes invejavam sua nobre tarefa. O Maguid de Mezritch, seu sucessor, disse certa vez: “Pudéssemos nós beijar o Sêfer Torá na sinagoga da mesma forma que o Baal Shem Tov beijava essas crianças pequenas!”
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O Rebe de Lubavitch, nona geração chassídica desde o Baal Shem Tov, continuou a pôr em prática estes ensinamentos. Não apenas introduziu o Movimento de Teshuvá (retorno às raízes) dos jovens nas universidades, recebendo pessoalmente grupos de estudantes em seu escritório para esclarecer questões científicas aparentemente contrastantes com aspectos da fé, mas principalmente atentou para as crianças judias e suas necessidades.
Em 1956, criou a colônia de férias Gan Israel para meninos, que mais tarde foi ampliada, transformando-se, por sua indicação, em uma rede internacional de acampamentos e day camps.
Em repetidas ocasiões, o Rebe frisou a extrema importância de tais atividades pelo fato de proporcionarem férias judaicas às crianças, pondo fim ao conceito errôneo de “tirar férias do Judaísmo”. Bem ao contrário, unindo o útil ao agradável, as colônias oferecem esportes, lazer, diversão, passeios e cultura, sempre em um ambiente judaico e permeado de nossas tradições. Quando a criança vive o dia inteiro neste clima favorável, não tem como deixar de se imbuir da identidade judaica autêntica.
O Rebe demonstrou, na prática, seu interesse nas colônias, visitando-as três vezes nos E.U.A. (em 1956, 57 e 60), apesar de não percorrer suas milhares de outras instituições, como escolas, seminários, yeshivót, batei Chabad, colelim, bibliotecas, etc. A cada ano, enviava uma carta especial para a abertura das colônias e recebia os participantes ao término daquela de Nova York, quando discursava para elas.
As visitas do Rebe eram marcadas pelo seu amplo interesse por tudo que se referisse à colônia. Percorria quartos, checava a cozinha, observava o lago, fazia uma refeição (farbrenguen) com as crianças… Todo e qualquer detalhe era preocupação sua.
Além disto, inúmeras palavras foram dirigidas a rapazes e moças de yeshivót Chabad, incentivando-os a não passar as férias de verão descansando e sim atuando com energia nessas colônias.
E assim nasceram os milhares de acampamentos e day camps Chabad em todos os centros judaicos do mundo.
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Conforme poderão constatar adiante (seção fatos e fotos), o Chabad Lubavitch está ligado a colônias de férias no Brasil desde 1953. Em 1957, o Rebe de Lubavitch já escrevia para o seu Sheliach no Brasil, “vale a pena uma atenção especial, tentativas e esforços enormes no que concerne às colônias de férias, etc, pois, conforme já demonstrou e escrevia nos E.U.A, e depois em Israel e no Canadá, quando são bem organizadas e depois são bem aproveitadas, as colônias podem trazer um imenso tesouro, aproximando um grande número de jovens e, através deles, numerosos pais e famílias, que influenciarão outros”.
Após as colônias de férias do Chabad Lubavitch funcionarem durante alguns anos, sob a direção do Rabino Hirshel Chitrik e dos Rabinos Jacob e Tsvi Arieh Begun, com o estímulo do Rebe, os acampamentos Gan Israel foram reiniciados no estado de S. Paulo em 1980, e os Pardes Chana, em 1982 (o nome Gan Israel é uma homenagem a Rabi Israel ben Eliezer, o Baal Shem Tov, e Pardes Chana refere-se à Rebetsin Chana, mãe do Rebe de Lubavitch)
A primeira equipe foi formada por jovens oriundos do Seminário Levi Yitschac devidamente preparados em cursos sobre segurança, dinâmica de grupos, primeiros socorros, etc. (periodicamente é ministrado um curso para monitores com entrega de diplomas ao seu término).
Destinadas às crianças de 6 a 16 anos, foram implantadas nos moldes das melhores colônias internacionais, nada ficando a dever em termos de organização, atividades e esportes. O diferencial está justamente no conteúdo judaico e no calor tipicamente chassídico. Como exemplo, tomemos um dia comum em Gan Israel e Pardes Chana. Desde a alvorada até o toque de recolher, as crianças experimentam jogos, competições na piscina, excursões e também rezas, estudo e canções tradicionais judaicas. Tudo monitorado por orientadores dotados de competência, entusiasmo, espírito criativo e respeitável bagagem pedagógica, muitas vezes vindos do exterior especialmente para o evento.
Além disso, algo especial chama a nossa atenção. Chama-se “color war”. Trata-se de uma atividade central, onde as crianças são divididas em duas equipes e, durante dois dias, defendem um conceito judaico através de competições esportivas, representações teatrais, músicas, etc.
E por falar em músicas, inúmeras delas já foram compostas pelos próprios colonistas em G.I., P.C. e S.L.Y. Canções que continuam a ser entoadas nas colônias através dos anos. Algumas se tornaram verdadeiros “clássicos”.
Realmente, com os anos, as colônias passaram por várias diversificações. Para as férias de inverno, foram criados os Day Camps Gan Israel e Pardes Chana. Estes funcionam até hoje de forma permanente e são, graças a D’us, muito bem-sucedidos. Também, mais tarde, iniciamos o Mini-Gan Israel, destinado àquelas crianças na faixa dos 3 aos 6 anos de idade. Em anos mais recentes, começamos o Teen Camp, para adolescentes de 13 a 16 anos de idade, com muitos passeios e programações adequadas a esta idade.
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Em 1993, as colônias de férias tomaram grande impulso. Após vagar por diversos recantos, alugando instalações por vários locais, chegou finalmente o momento de ganhar um lar: uma casa de colônia de férias em Campos de Jordão foi colocada à nossa disposição por um generoso benfeitor.
Em 2001, devido ao crescimento das colônias, a colônia Gan Israel transferiu-se para a sede campestre do Ten Yad em Nazaré Paulista (rebatizada Netzer Mataai), hoje chamada de “Sede Campestre Irmãos Tisminetzky”, em homenagem aos doadores Boris, Fany e Abrão Tisminetzky, Z”L.
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Neste momento, quando festejamos 25 anos de colônias Gan Israel, é com muita satisfação que apresentamos este segundo livro de recordações aos participantes, ex-participantes e familiares, que poderão reviver momentos inesquecíveis da juventude. Também dedicamos a obra ao público em geral, que poderá encontrar nela um pouco da formidável experiência da vida e ambiente único que reina em G.I.
Grande parte deste volume é um Shiron das canções compostas nas colônias, cuja compilação foi feita respeitando os temas das mesmas.
E não poderia deixar de ser assim. Desde o nascimento do povo judeu, a canção faz parte da nossa herança. Foram entoadas na travessia do Mar Vermelho, em orações milenares criadas por sábios inesquecíveis, nos mais distantes rincões deste exílio…
Os chassidim tornaram-se especialmente conhecidos pela expressão de seus nigunim (profundas melodias, sem palavras, que refletem o estado interior da alma) que se espalharam muito além dos limites do Chassidismo entre os judeus do mundo inteiro. Como disse o Alter Rebe, fundador do Movimento Chabad-Lubavitch: “A língua é a escrita da oração, mas a melodia é a da alma”.
Como se isso já não fosse suficiente, músicas e canções são também poderosos instrumentos para o ensino de conceito judaicos e preces às crianças (em idade ou em conhecimento). A velocidade do processo de aprendizado é sensivelmente incrementada quando, durante um jogo ou brincadeira, a criança pode cantar sobre determinado assunto. Seu interesse torna-se concentrado, ampliando sua habilidade de recordar as palavras.
Esperamos sinceramente que tudo aquilo composto em G.I. sirva como material pedagógico em futuras atividades de férias, escolas, etc.
Que as várias bênçãos do Rebe de Lubavitch que pessoalmente nos incentivou e se interessou por esse trabalho se cumpram em sua totalidade, sendo mais um passo para a revelação de Mashiach, em breve, em nossos dias.
 
(Extraído do prefácio do livro Colônias Gan Yisrael)

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