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A sublime alma do Baal Shem Tov começou a refulgir num período histórico específico do povo judeu, depois dos pogroms de 1648-1649 perpetrados por Bogdan Chmielnicki e suas hordas, quando morreram muito judeus na Europa Central, deixando as famílias judias aflitas.

Naquela região, o sistema vigente era o feudalismo, e os nobres senhores feudais (parits) viviam uma vida vazia e nada significativa.

Na realidade, grande parte do povo conseguia o seu minguado sustento nas mãos destes senhores. Contudo, eles ficavam à mercê deles e de seus caprichos. Quando acontecia qualquer adversidade, o judeu era o bode expiatório. Esta era a situação material. E espiritualmente não era melhor. A camada mais simples do povo era muito pobre e ignorante. Isto no que se refere ao estudo da Torá, pois precisavam trabalhar desde cedo.

Decerto que eles viviam angustiados e se sentiam separados do Criador. Os poucos sábios e eruditos judeus se distanciavam dos mais humildes, muitas vezes desprezando-os.

Brilho divino sobre o Baal Shem Tov

É neste cenário e época sombrios que se revela a figura do Baal Shem Tov, o fundador do Chassidismo, cuja chama viria a se transformar em um imenso farol e levaria luz e vitalidade a todas as camadas do povo judeu, desde os mais simples até os líderes e sábios.

A resplandecência do Baal Shem Tov foi se propagando rapidamente por todas as comunidades judaicas da Europa. Era como se o abençoado orvalho Divino pairasse por todas as comunidades europeias.

O Chassidismo, então, passou a proporcionar ao judeu uma satisfação espiritual individual, entusiasmo no serviço a D’us e alegria de viver.

Rabi Israel ben Eliezer, o Baal Shem Tov, amparou seus irmãos materialmente e espiritualmente. Mas antes de o Baal Shem Tov se revelar, ele fazia parte dos tsadikim ocultos (nistarim). Assim, ele viajava com seus colegas de cidade em cidade. O objetivo era pois encorajar os judeus simples e ajudá-los a encontrar um sustento digno. Desse modo, eles até organizaram uma rede inteira de estudo de Torá através de vários discípulos dispostos a se estabelecer em vilarejos distantes. Esta foi a forma de levar uma cura material aos seus irmãos.

Movimento chassídico em crescimento

Quando o Baal Shem Tov completou 36 anos e, contra a sua vontade, teve que se revelar como fundador e líder do movimento chassídico. Desse modo ele pôde disseminar o seu legado e seus ensinamentos por todos os cantos. Com certeza esta foi a cura espiritual.

O mais surpreendente é a forma como o movimento chassídico cresceu meteoricamente. Sua difusão foi então enorme e isso em tão pouco tempo, apesar de várias oposições.

O movimento conseguiu atrair fiéis discípulos e seguidores em muitos países do Leste Europeu. Assim o foi na Rússia, na Ucrânia, na Polônia, na Lituânia, na Transilvânia entre outros países da região. Era então o selo de comprometimento que se estabelecia. Todos os judeus, de corpo e alma, estavam fechados com esta nova corrente.

Assim, em suas andanças, o Baal Shem Tov chegou a visitar centenas de cidades e vilarejos, eliminando a ignorância judaica, até se estabelecer, nos últimos 11 anos de sua vida, na cidade de Mezibush, ao sul de Kiev.

A Divina Providência ajudou-o a reunir ao seu lado discípulos eruditos. Tratavam-se de grandes mestres de estatura espiritual elevada. Mas não somente isso. Eram, ao mesmo tempo, homens de ação já que continuaram a divulgar os ensinamentos de seu mestre, o Baal Shem Tov. Foi assim que eles passaram a aproximar as massas do estudo da Torá e do cumprimento das mitsvot.

Legado de Baal Shem Tov

Hoje não existe um judeu no mundo que estude a Torá e não esteja familiarizado com os ensinamentos do Baal Shem Tov – ensinamentos de alegria, devoção e amor ao próximo, ou com seus aforismos.

Também é notório que o Baal Shem Tov não deixou nenhuma obra escrita de seu próprio punho. Todos os seus pensamentos, explanações, comentários e ditos chegaram até nós através dos livros de seus alunos, que anotaram as suas palavras. E mesmo assim o Chassidismo tornou-se o maior movimento judaico nascido na Diáspora. Ele conquistou o coração de miríades e permanece educando gerações para o amor à Torá, temor a D’us e amor ao próximo. Tudo isso com alegria.

Qual é a explicação deste sucesso? Sem dúvida nenhuma, a grandeza da sua alma combinada com o seu imenso amor incondicional por todo e qualquer judeu.

De fato, ele conseguiu transmitir esse modus vivendi às massas judaicas. E ele o fez sem qualquer tipo de coação ou orgulho. Seus instrumentos eram tão somente humildade e o poder da fé, da confiança e da alegria.

O Baal Shem Tov costumava repetir o dito dos nossos sábios: “O povo de Israel é comparado às estrelas” (Bamidbar Rabá 2,11).

Amando o próximo, amamos a D’us

Ele igualmente acrescentava que as estrelas parecem pequenas aos nossos olhos, mas, lá em cima, no firmamento, são astros gigantescos. Da mesma forma, aqueles judeus simples aos nossos olhos possuem um quinhão muito elevado nos céus. E o Baal Shem Tov declarava que o versículo “Ame o próximo como a si mesmo” (Levítico 19:18) é uma explanação do versículo “Ame a D’us” (Deuteronômio 6:5). O amor do homem pelo seu Criador se expressa através do amor ao próximo.

Existem inúmeras histórias de milagres do Baal Shem Tov. Essas histórias estão espalhadas nas centenas de livros publicados nos últimos 250 anos, desde o seu passamento. Recomendo a todos que procurem ler essas histórias e com isso inspirar-se com a fé em D’us, a confiança nos tsadikim (“Tsadic gozer vehaCadosh Baruch Hu mecaiêm” – “o tsadic decreta e o Santo, Bendito seja Ele, cumpre” – Taanit 23a; Zôhar II 15a, Shabat 59b), e o entusiasmo no serviço ao Criador e no estudo da Sua Torá.

Com efeito, as muitas centenas de histórias do Baal Shem Tov demonstram a santidade e a pureza do mestre e sua influência atemporal. Em hebraico, aliás, o termo “história” é traduzido como “sipur”, que também tem o significado de “iluminação”. Sem dúvida essas narrativas iluminarão a vida de muita gente.

Que o mérito do Baal Shem Tov proteja todos eles e toda a nossa geração.

(Extraído da introdução do livro “Rabi Israel ben Eliezer – Baal Shem Tov”)

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Baal Shem Tov

Rabi Israel Baal Shem Tov faleceu no primeiro dia de Shavuot (6 de Sivan), aos sessenta e dois anos. Não deixou obras escritas, mas seus ensinamentos e doutrinas foram registrados por seus discípulos e publicados em suas obras e coletâneas especiais. Atualmente, mais de 250 anos após o falecimento do Baal Shem Tov, o Movimento Chassídico, em todas as suas coloridas ramificações, constitui uma das maiores, se não a maior, vigorosa, dinâmica e criativa força do Judaísmo. ADQUIRA LIVRO