Realmente as festas na Diáspora têm um dia a mais.

Assim, Sucot é celebrado durante 8 dias ao invés de 7, Shavuot 2 no lugar de 1, e Pessach, 8 fora de Israel, e 7 em Israel.

Isto decorreu de uma dúvida pois que havia antigamente em nosso calendário.

O calendário funcionava através de testemunhas oculares que viam a lua. Estas avisavam, no início do mês, ter avistado a lua nova, o que permitia decretar o início do mês — a “neomênia” — que chamamos de Rosh Chodesh.

Para avisar as outras cidades da decretação de um novo mês eram enviados emissários pelo tribunal rabínico de Jerusalém. Estes, em alguns casos, podiam demorar muito tempo até chegar às comunidades que viviam fora de Israel.

Nas festas judaicas que são comemoradas no meio do mês, como é o caso de Pessach e Sucot, os emissários não conseguiam chegar em tempo hábil a todos os lugares da Diáspora, por isto acrescentava-se um dia a mais, por via das dúvidas.

Aprendendo um pouco mais sobre a lógica que as festas na Diáspora apresenta

No caso de Rosh Hashaná, que é no início do mês, até dentro da própria Terra de Israel, não havia tempo hábil para que os emissários chegassem a todas as cidades. É por esta razão que Rosh Hashaná, na grande maioria das vezes, era festejado durante dois dias.

Hoje, de forma já fixa e perpétua, continuamos a festejar Rosh Hashaná durante dois dias. Isso tanto fora quanto dentro de Israel. As festas na Diáspora, portanto, guardam suas motivações mais lógicas.

Assim cabe realmente a pergunta: mesmo sabendo de que não havia tempo hábil para os emissários chegarem a todos os lugares, já que Yom Kipur caía no dia 10 do mês, por que é comemorado apenas um dia?

Nossos sábios nos dão dois motivos. Primeiro, no judaísmo, nunca se decreta algo que seja acima das forças da coletividade. Assim, é praticamente impossível, para a grande maioria das pessoas, jejuar durante dois dias. Então, o jejum foi estabelecido somente por um dia.

Segundo, que seria muito difícil, principalmente naquela época, diz o Talmud, preparar comida e estocá-la por dois dias. Assim como em Shabat, em Yom Kipur não é permitido cozinhar. Teria que se preparar, portanto, na véspera, alimentos para dois dias. Não se esqueçam que estamos falando de uma época em que obviamente não havia geladeira.

Decorrente disto, até hoje, no nosso luach, nosso calendário fixo, Yom Kipur não pode cair nunca em uma sexta-feira, tampouco em um domingo.

Repetindo, segundo o Talmud, a impossibilidade de cozinhar durante dois dias dificultaria, a vida da coletividade. Isso porque, enfim, o judaísmo é feito para se viver, de forma feliz.

(Publicado na Revista Morashá em Dezembro de 1995)

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