AS DESCOBERTAS CIENTÍFICAS NO JUDAÍSMO SÃO BEM VINDAS? OU O JUDAÍSMO OPÕE-SE À PESQUISA E ÀS DESCOBERTAS CIENTÍFICAS? UTILIZÁ-LAS É INTERFERIR NA OBRA DIVINA?

Rabino Y. David Weitman: De acordo com o judaísmo, temos permissão e obrigação Divinas de pesquisar a fim de curar o ser humano. Assim, as descobertas científicas no judaísmo são bem vindas. Ou seja, isso não se constitui em um desafio à vontade Divina. Nós não achamos que isso seja “brincar de D’us”. Pelo contrário, o judaísmo acredita que D’us convidou o ser humano a ser Seu sócio na obra da Criação.

O homem, tem o direito e o dever de aperfeiçoar a obra Divina. Sabemos que, em certos casos, ela foi deixada inacabada por Ele. Assim, descobertas científicas no judaísmo são bem vindas.

De acordo com o judaísmo, é uma obrigação desenvolver este mundo da melhor forma possível. Assim, ele seja proveitoso ao ser humano.

A concepção dessa sociedade entre D’us e a humanidade está claramente expressa. Foi definida nas palavras dos nossos grandes vultos, pensadores e legisladores judeus. Não há qualquer dúvida a respeito.

Tal associação explica a razão pela qual, em todos os séculos, grandes médicos e cientistas judeus se destacaram. Isso refletiu então que participassem da descoberta de tantas curas, como antibióticos eficazes contra moléstias infecciosas e outros. E, por essa razão, o judaísmo não tem absolutamente nada contra as novas tecnologias. As descobertas científicas no judaísmo tem pois a benção Divina com toda a certeza.

Somos favoráveis às complexas cirurgias para quem delas necessita, apesar de termos a plena consciência de que a doença proveio dos Céus.

EMULAMOS A D’US

Como já foi explanado em outra oportunidade, o judaísmo é categórico: o ser humano deve emular D’us quanto ao preceito de curar a doença e aliviar a dor,ao máximo.

Todavia, é importante ter em mente que cada descoberta, científica ou tecnológica, pode ser potencialmente uma bênção, ou o oposto. Será uma bênção quando acrescentar dignidade ao homem, e quando realmente reduzir a dor, a doença e a miséria. E será uma maldição, D’us nos livre, quando for usada irresponsavelmente.

A ciência e a tecnologia aqui estão para servir à humanidade, e não para se servir dela. Essa é a razão pela qual cada nova descoberta precisa ser analisada pelos grandes sábios judeus, Devem ser competentes tanto no âmbito da lei (halachá) quanto em matéria científica. Dessa forma, pois, certificarão se a novidade transgride algo que seja proibido pela halachá.

Tudo para que as conseqüências não vão de encontro ao espírito judaico. E também para que haja proveito real ao ser humano, um proveito maior que qualquer eventual prejuízo. Veja que a importância das descobertas científicas no judaísmo têm o peso inclinado na balança para o benefício do ser humano.

Os sábios, obviamente, terão de analisar atentamente cada caso. Precisam certificar-se se, ao permitir certas descobertas, não estarão encorajando a extrapolação e facilitando que coisas proibidas sejam autorizadas. Checar se não há qualquer contradição com matéria de fé, moral e ética etc.

Tudo deverá ser pensado e repensado para que se possa fazer uso da nova descoberta.

AS DESCOBERTAS NO CAMPO DA GENÉTICA, BIOMEDICINA E TERAPIA CELULAR ENFRAQUECEM A FÉ EM D’US?

Rabino Y. David Weitman: Certamente nenhuma descoberta ou novidade científica afeta a fé no Criador do Universo. Todas as tecnologias descobertas são, na verdade, revelações de forças e elementos que já habitavam a natureza da Criação. As descobertas científicas no judaísmo não possuem força para abalar a fé do judeu no Todo-poderoso.

A diferença é que passamos a usá-las em favor do homem. Não se trata de novas criações. Tanto a tecnologia dos transplantes e a fertilização in vitro quanto a engenharia genética e a clonagem se utilizam de elementos pré-existentes; algo completamente diferente da Criação Divina, esta ex nihilo, a partir do nada.

Por isso, para nós não há diferença alguma entre uma manipulação cirúrgica macroscópica em um órgão precisado de intervenção, e uma manipulação microscópica para aperfeiçoar o blueprint genético.

Se é possível curar uma mão ou um olho, por que não tentar corrigir defeitos genéticos, como a síndrome de Down ou a hemofilia, manipulando os genes que as acarretam? Temos tal obrigação, não é proibido. Não somente as novidades científicas mencionadas não diminuem em nada a fé em D’us, mas são exatamente essas revelações fantásticas das maravilhas da natureza que aumentam nossa fé no Criador.

Analisar profundamente a composição genética das criaturas em todos os pormenores que hoje são conhecidos, as leis que regem a célula e seu núcleo, reforça a fé. Demonstra que não há lei sem legislador. Não há a menor possibilidade de que tais maravilhas, tanto no microcosmo como no macrocosmo, tenham ocorrido por acaso.

A GRANDEZA DO CRIADOR NAS PEQUENAS COISAS

Assim como descobriram milhões, bilhões de estrelas no céu, o homem logrou adentrar e analisar os milhares de elementos que há na matéria e nas células. Isso apenas pode aumenta a crença em D’us. Como disse o salmista, “Quão grandes são Teus atos, Senhor, muito profundos são Teus pensamentos” (Tehilim 92:6). E Maimônides também ensina em seu códex (Leis dos Fundamentos da Torá, II:1,2): “Como é o caminho para chegar a amar e temer a D’us? Quando o homem meditar sobre as obras e criaturas magníficas e maravilhosas de D’us, vendo Sua sabedoria infinita… e quando ele reflete sobre tais coisas, imediatamente passa a amar e reverenciar o Todo-Poderoso; sabe que é apenas uma pequena e humilde criatura, com uma mente reduzida ante aquela Sabedoria perfeita.”

Eu frisaria que as descobertas da genética reforçam isso sobremaneira,. Na realidade, a grandeza do Criador é percebida exatamente nos elementos ínfimos em que D’us depositou Sua energia e Sua vitalidade.

Citando aqui nosso filósofo medieval, Rabi Yehuda HaLevi (século XI), “Mesmo entre as menores criaturas vê-se as maravilhas da Sabedoria Divina, que nenhuma mente pode apreender”, e “A sabedoria do Criador e Sua liderança se revelam não menos na criação da formiga e da abelha que na do sol e das constelações” (Kuzari, 1:68; 3:17).

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