D-us apareceu para Salomão em sonho e disse: “Pede o que queres.” “Ao teu servo pois”, respondeu o Rei, “dá um coração entendido para julgar o teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem o mal.”Ao que o Todo-Poderoso replicou: “Porquanto que não pediste para ti riquezas nem a vida de teus inimigos, mas pediste entendimento, te darei um coração sábio e entendido e também o que você não pediu: riquezas e glória.” (I Reis 3:9)
Houve um Rei que queria recompensar seu ministro e lhe disse: “Pede o que queres.” O ministro pensou o que pedir: “Riqueza, glória, poder? Não. Pedirei algo que me garante tudo isto: pedirei a Filha do Rei.” (Midrash)
O Rei Salomão é reconhecidamente o homem mais sábio do mundo. Segundo a tradição, jejuou durante quarenta dias para receber de D-us sabedoria e entendimento. O que nem todos conhecem, porém, é que também possuía três nomes: Shlomo, Yedidia (o amigo de D-us) e Kohelet (aquele que acumulou sabedoria).
Compôs três obras, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos, volumes estes produzidos, de acordo com os nossos sábios, em honra aos três dias nos quais a criação usufruiu da Luz Divina (domingo, segunda e terça) até que fossem criados os astros e luminárias. Por este motivo, o Rei justo mereceu três magníficas etapas em sua vida: a primeira delas constou de grande riqueza e abundância (I Reis 10:21), a segunda de imensa sabedoria (I Reis 5:10) e na terceira “Salomão sentou no trono de D-us”. (I Crônicas 29:23)
Esta última fase, porém, suscita uma dúvida. Como um ser humano poderia sentar-se no “trono de D-us”? Como isto deve ser entendido? A resposta é que em virtude da extrema humildade do monarca, o filho de David chegou a reinar sobre toda a Terra, da mesma forma que D-us reina sobre todo o mundo.
Conforme os nossos sábios, até o surgimento de Shlomo, os ensinamentos da Torá eram como um poço cujas águas repousavam profundas e frias, sem que pudessem ser içadas. Então, surgiu um justo munido de cordas longas e resistentes para resgatá-las. Através de adágios, destilou as águas da sabedoria Divina. Seus ditados as libertaram.
O Zohar discorre sobre seus cantos, capazes de alcançar níveis espirituais sublimes, mais elevados do que qualquer outro existente. Salomão não precisava de instrumentos musicais: o conteúdo de sua sabedoria já era suficiente para elevar suas palavras.
A palavra Kohelet tem sua origem no termo Kahal, que significa “congregação”. O Rei Salomão transmitia a sua erudição no momento de reunir o povo no Templo (Hakhel).
Segundo o Talmude (Shabat 30b), os sábios, a princípio, desejaram excluir Provérbios e Eclesiastes do cânon em função das aparentes contradições entre os mesmos. Porém, ao observarem o versículo “Rejubile-se jovem em sua infância, que seu coração o alegre nos dias de sua juventude; siga o caminho de seu coração e a visão de seus olhos — mas fique certo de que por todas essas coisas D-us o chamará para você prestar contas.” (Kohelet 11:9), deram razão ao Rei Salomão, conciliando as suas dúvidas iniciais e ambos os livros foram merecidamente reintegrados à norma. Talvez por este motivo, os dois escritos, juntamente com o Cântico dos Cânticos, ainda não desfrutavam da merecida difusão quando o Rei Ezequias reforçou-os, instilando os sábios daquela geração a se aprofundarem no seu estudo, elevando-os a um nível de santidade, divulgando-os amplamente.
Este célebre Eclesiastes inicia declarando que tudo neste mundo é fútil. De fato, uma máxima verdadeira, principalmente pelo fato de ter se originado de um homem que tudo possuía. Um homem a quem nada faltava e em cujo reinado o próprio dinheiro nada valia. Afirma o Midrash Rabá que caso um homem pobre assim se pronunciasse, poder-se-ia chamá-lo de leviano. Um simplório que nada conhece dos prazeres mundanos. Mas isto certamente não se aplica ao poderoso Rei Salomão, rico, honrado e respeitado por súditos e inúmeros outros soberanos.
Ainda segundo o Zohar, D-us disse a Salomão: “Já que o teu nome é como o Meu [Shlomo, da raiz Shalom], dou-te a Minha filha [a sabedoria] em casamento.”
E assim foi.
(Extraído do prefácio do livro Eclesiastes)

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