Os nossos sábios na Ética dos Pais já prezavam a ciência da Numerologia Judaica — a Guimátria (Pirkei Avot 3:18). Rabi Eliezer Chismá disse: “O cálculo dos ciclos da astronomia e o cálculo numerológico das palavras são condimentos da sabedoria”. E como explicam os nossos comentários, estes cálculos abrem o apetite e incentivam as pessoas a se aprofundar mais no estudo da Torá.
O método da Guimátria é uma das 32 formas de interpretação da Torá, de acordo com o Talmud (baseado na baraita de Rabi Eliezer ben Yossef Haglilí), que também enfatiza a importância dos sinais (simanim) no estudo (Shabat 104a, Eruvin 54b). Encontramos em diversos lugares que a Numerologia Judaica é usada como apoio para se tomar decisões haláchicas — legais (Berachot 8a, Shabat 10b, 145b, etc.).
Com relação à palavra Guimátria, existem várias interpretações. Alguns dizem que a raiz etimológica da palavra é grega, referindo-se à “geometria”, que em hebraico passou a ter um sentido mais amplo, incluindo todo o tipo de cálculo e números. Alguns se aventuram e afirmam que “Guimátria” vem de duas palavras — gama e tria — que significa que a letra gama é a terceira letra do alfabeto grego, indicando a metodologia da Guimátria.
Todavia, parece-me interessante citar aqui a explicação do grande mestre e legislador Rabi Yossef Karo, o autor do Código da Lei, Shulchan Aruch (em Klal HaGuemará): Guimátria é composta por duas palavras Guei (vale) mitúria (da montanha)”. Isto significa que quando somos confrontados com algo que não entendemos, parecendo uma montanha, a Guimátria a transforma num vale de compreensão.
Sem dúvida, a ciência da Guimátria desperta a alma e estimula a vontade de obter mais conhecimento Divino. Os segredos mais profundos da Torá encontram-se ocultos nas letras, e através dos diferentes códigos, valores numéricos e substituições de palavras, desvendamos os mistérios Divinos neles embutidos. A Guimátria praticamente transforma a montanha num vale, assim como o vento dissipa as nuvens.
Lembramos, porém, que a Ética dos Pais, mencionada acima, chamou este tipo de ciência de “condimento”. Qualquer tempero precisa ser acrescentado a um alimento principal, que é o estudo profundo da Torá, tanto a Lei Escrita como a Lei Oral. Ninguém se alimenta apenas de condimentos. É imperativo que se estude Torá, Talmud, Halachá (Lei Judaica) e Midrashim de forma sistemática para lograr um conhecimento abrangente.
 
 
(Extraído do prefácio do livro Numerologia Judaica)