Durante seu grandioso, porém turbulento reinado, David nunca deixou de se ocupar com a Torá. Após os dias cheios, dignos de um rei, ele estendia os estudos noite adentro e, a partir da meia-noite, compunha cânticos até o amanhecer. Esta diligência no estudo e na reverência ao Criador resultou em uma das obras mais sagradas: os famosos Salmos.
Em fuga, errando aflito pelos desertos ou na alegria da proximidade com Deus e da revelação da Shechiná, os versículos fluíam de David sob uma inspiração Divina das mais sublimes. Ele agregou as tragédias dos judeus às suas próprias, pedindo por todos enquanto pedia por si.
Do Rei David, o ilustre descendente da tribo de Judá e, portanto, predestinado a reinar, muito se sabe e se admira. Ungido por ordem Divina pelo profeta Samuel e grande sábio da Torá, presidia o Sinédrio e teve seus Salmos posteriormente entoados no Templo pelos levitas, prova de que foram feitos por um homem guiado pela Luz Infinita.
Sobre os Salmos, às vezes mencionam algum instrumento musical, por exemplo, o guitit. Isto significa que o Salmo em questão requeria este acompanhamento específico no Templo. Outros Salmos eram cantados com diversos instrumentos. Também determinados capítulos eram cantados em dias, festas ou eventos especiais.
O Tehilim, livro de suprema beleza, faz parte dos Ketuvim (escrituras), a 3a parte da Bíblia, o Tanach. Em hebraico, Tehilim significa “louvores”, a abundante gratidão ao Senhor do Mundo. Já Thilim quer dizer “montes”. A mesma raiz dos termos não é mera casualidade: juntos, eles formam “montes de elogios ao Criador”.
O Livro dos Salmos é dividido em 5 partes, assim como o Pentateuco. Da mesma maneira, muita semelhança há entre Moisés e David. Enquanto o primeiro é o maior dos profetas, o último é o maior dos reis. Ambos faleceram no Shabat a tarde. A Lei de Moisés transmite a palavra de Deus; os Salmos, o temor aos Céus. Através das amostras de Providência e Onisciência Divina, castigo e recompensa, eternidade da alma, virtudes de caráter e inúmeras profecias sobre o futuro do povo de Israel, o Tehilim se torna um verdadeiro monumento à teshuvá (retorno a Deus).
De acordo com a tradição, o Tehilim teve a participação de outros dez co-autores: Adão, Malkitzedec, Abraão, Moisés, Heiman, Yedutun, Assaf e os três filhos de Corach. Mesmo assim, em geral, o livro é atribuído a David e foi ele quem recebeu o título de “Naim Zemirot Yisrael”, o “Agradável cantor de Israel”.
O grande sábio, Rabi Yeshaia Halevi Horovitz, em sua obra, o Shalá, escreve: “Quem deseja que sua alma se apegue a Deus, Bendito seja, deve apegar-se ao livro do Tehihm, já que este contém cânticos, louvores ao Criador, pedidos de perdão e expiação, tudo conforme a orientação do Altíssimo a David. Feliz daquele que lê os Salmos com alegria, canto e devoção sincera”.
O Zohar HaKadosh ensina que “a partir da meia-noite, os anjos abrem o Livro dos Salmos e o recitam até a reza matutina”. Segundo o Chidá, Rabi Chaim Yossef David Azulay, “recitar Tehilim todos os dias é comparável ao cumprimento de toda a Torá, além do seu estudo aproximar a redenção”.
O Rebe de Lubavitch anterior, Rabi Yossef ltschac Schneersohn acentua que “a recitação dos Salmos em público surte um efeito incalculável. Não há palavras para descrever o mérito dos participantes deste ato e do prazer que causa nas alturas. Este procedimento atrai bênçãos sobre esposos, esposas, filhos e netos, saúde, fartura e pleno sucesso no que se necessita material e espiritualmente”.
Os sábios dizem que o Rei David orou muito a fim de que os Salmos fossem recitados nas sinagogas e casas de estudo. Pois bem: quem os fala combina o mérito do estudo da reza. David conseguiu, em fervorosas preces, assegurar a recompensa do Estudo dos mais profundos tratados do Talmude àquele que lê os Salmos.
Ninguém nega: David é o salmista por excelência do povo judeu. Sua fé, integridade, retidão, contrição e esperança inquebrantável na salvação Divina inspiram a todas as gerações exiladas. Uma nação que, a exemplo de seu líder, nunca se rende ou desespera.
Realmente, desde sua composição, este livro acompanha o povo judeu pela História afora, por onde quer que ande ou viva. Na adversidade é consolo e na opulência, canto de júbilo. Esta obra se transformou em elo entre o Pai e seus filhos através de seu cantor-mor, David.
Pelo acima exposto, não é surpresa que esta obra milenar nos provê com sensibilidade e confiança. Ela nos ajuda a derramar os corações e as lágrimas perante o Eterno na busca pelas cobiçadas bênçãos de paz e felicidade, até a vinda do descendente do Rei David, o justo e tão esperado Mashiach.
(Extraído do prefácio do livro dos Salmos)

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