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Um camponês que visita pela primeira vez uma cidade grande, ao assistir a um incêndio, percebeu que, ao toque de um sino, as pessoas se mobilizaram para apagar as chamas. Na sua ingenuidade, ele pensa que basta tocar o sino e os problemas do incêndio estão eliminados. É claro que não é bem assim; além do sino, exige-se um tremendo esforço de mobilização para debelar o incêndio. Num paralelo é assim também com a mobilização para a continuidade judaica.

A princípio, durante sucessivas gerações, a transmissão da identidade judaica era praticamente automática. Bastava “tocar o sino” das tradições judaicas num lar sólido, imbuído de um modo de vida judaico, que a continuidade judaica era garantida. Hoje, porém, com as transformações que a sociedade — e, por consequência, o povo judeu — passou, o quadro mudou.

A abertura das sociedades, a substituição das perseguições pela tolerância e a fragilidade da família e das instituições educacionais tornaram pois o nosso povo muito vulnerável.

Assim, diariamente, milhares de jovens judeus se afastam e abandonam o judaísmo. Propriamente falando, é correto dizer que a continuidade judaica está então abalada e atingida. O incêndio é grande e não podemos errar ao pensar que apenas com um toque de sino consertaremos a situação.

Resistência e resiliência marcam a continuidade judaica

O judaísmo sobreviveu a várias ameaças em toda a sua trajetória. Durante os seus mais de 3.300 anos de história, foi oprimido e perseguido inúmeras vezes. Todavia, sobreviveu aos babilônios e romanos, cruzadas e inquisições, pogroms e Holocausto.

A persistência pela eternidade, na realidade, a continuidade judaica, nos ensinou a lutar e vencer o inimigo externo. Hoje, porém, o inimigo é diferente; é mais interno e ameaçador: a secularização, a alienação e a assimilação.

As estatísticas sobre casamento misto e assimilação passiva são alarmantes. O momento é de agir. E, sem dúvida, a solução reside em incutir e fortalecer a consciência e a identidade judaica da nossa geração.

O Midrash (Bereshit Rabá 69:5) explica por que o texto bíblico compara o povo judeu ao pó da terra (Gênese 28:14): assim como o pó da terra fornece do bom e do melhor para o homem (alimentos, minerais, pedras preciosas, etc.) e muitas vezes é pisoteado por ele, ainda assim a terra sobrevive a todos os arados que arrancam seus pedaços, o mesmo ocorre ao povo judeu, que tem muito conhecimento para transmitir à humanidade (e é muitas vezes pisoteado e perseguido). Todavia, como a terra, que é eterna (Eclesiastes 1:4), ele sobreviverá a todos que arrancam pedaços dele.

Condição sine qua non

Este Midrash que conta a eternidade do povo judeu continua, porém, com uma condição: assim como a terra precisa ser regada para dar seus frutos, assim também o povo de Israel precisa se irrigar com sua água límpida e pura, o seu patrimônio espiritual, a Torá.

Esperamos que as comunidades judaicas, com seus espíritos receptivos e criativos, irão agir na prática, despertando a sede pelo judaísmo em nossos jovens, permitindo que eles sejam realmente comparados à terra, que produz benefícios para a humanidade.

(Extraído do prefácio do livro Teremos Netos Judeus?, Editora Maayanot, S.Paulo)

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Fonte: chabad.pt

 

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