A Cabalá é o conhecimento esotérico da Torá. De acordo com a tradição judaica, D’us outorgou o conhecimento Divino (a Torá) no Monte Sinai, há mais de 3.300 anos, juntamente com as diversas formas de interpretação. Enquanto que as interpretações literais (Pshat), homiléticas (Midrash) e legislativas (Halachá) eram de domínio de todos os judeus — inclusive os mais simples —, a interpretação mística (Sod, Chochmat Hanistar, Cabalá) só pertencia a uma elite. E assim ela foi transmitida de geração em geração para alguns justos eruditos e privilegiados. Uma grande mudança ocorreu a partir do Arizal (Rabi Yitschak Luria, 1534-1572 d.e.c.), que afirmou: “Hoje é mitsvá revelar a sabedoria da Cabalá”. Na prática, isso ocorreu por intermédio do Baal Shem Tov (1698-1760) e de seus discípulos, os mestres chassídicos, que consideraram ter chegado o momento de revelar esta “gema que está na coroa do Rei”.
Todavia, não é qualquer um que pode estudar e ensinar os princípios da Cabalá. Somente alguém de estatura espiritual elevada e comportamento adequado saberá explanar as alegorias contidas nesta ciência.
Ultimamente, porém, assistimos a uma corrida desenfreada a tudo que seja (ou pretenda ser) esotérico. Infelizmente, traduções baratas e literais de obras antigas e profundas, bem como professores inaptos e não-iniciados nessa sabedoria, estão proliferando, aproveitando-se da sede do público pelo lado espiritual da vida. Porque aprofundar-se nos mistérios da Cabalá sem o preparo necessário ou o mestre adequado acaba por confundir o aluno, tornando-se prejudicial.
 
(Extraído do prefácio do livro Cabalá Prática)