Consta tanto na Torá, os cinco livros do Pentateuco, como na tradição oral do Talmud, que as mitsvot, o número de mandamentos bíblicos ordenados por D’us ao povo judeu, são 613. Ou seja, são 613 mitsvot e não há dúvida a respeito do número, é uma tradição sagrada. O único debate que existe entre os legisladores é definir exatamente quais são as mitsvot que se encaixam dentro desses 613 itens.
Vamos dar um exemplo: existe uma lei ordenando a construção de um templo. Porém, dentro de cada templo há uma série de objetos rituais necessários que também devem ser construídos. Segundo alguns legisladores, cada objeto em si representa uma mitsvá separada, uma mitsvá individual.

Opiniões de legisladores

Enquanto outros acreditam que se trata do cumprimento de uma única mitsvá: a construção do templo, e que os objetos necessários para este fim são pormenores compreendidos na mitsvá principal. Portanto, as pequenas discussões que existem entre os legisladores são a respeito de quais são exatamente estas mitsvot.

Maimônides – antes de escrever seu opus magnum, o Códex – escreveu um livro, Sefer Hamitsvot, no qual enumera as 613 mitsvot. Outros grandes rabinos como Nachmânides ou o rabino Avraham de Posquières (Raavad) às vezes debatem com Maimônides se algumas mitsvot deveriam ser incluídas ou não. Mas ninguém põe em dúvida o número de mitsvot: 613.

Na Torá há alusões ao número 613. Na parte em que conta a volta de Jacob da estadia com seu tio Labão, a Torá relata as palavras do patriarca: “Im Lavan garti ” (morei com Labão). Garti tem o valor numérico de tariag (613), indicando que apesar de morar com o perverso Labão, Jacob cumpriu as 613 mitsvot.

Existe um versículo na Torá onde está escrito “Torá Tsivá Lanu Moshe” (a Torá que Moshé nos ordenou). O valor numérico da palavra Torá é 611. Se adicionarmos os dois primeiros mandamentos que o povo de Israel ouviu no Sinai diretamente de D’us totaliza-se o número 613, o número de mandamentos ordenados por D’us.

613 mitsvot: um número divisível

Sabemos que este número, ou estes mandamentos, são divididos em mandamentos positivos (mandamentos a serem feitos, mitsvot assê), e os proibitivos (sobre ações a não serem feitas, mitsvot lo taassê).

Temos 248 mandamentos positivos e 365 proibitivos. Estes números correspondem às partes do corpo humano. Segundo o Talmud, dentro do como humano existem 248 órgãos e ossos diferentes e 365 veias e artérias. Aliás, o Talmud enumera estes 248 órgãos. Portanto, cada mitsvá corresponde a uma parte do corpo.

Por exemplo, o homem cumpre a mitsvá do tefilin com o braço; a tsedaká com os dedos; ele cheira o bessamim com o nariz; reza com os lábios. E assim por diante. Cada mitsvá corresponde, portanto, a uma parte do corpo humano.

A alma também é divisível

Nossos sábios místicos se aprofundam ainda mais afirmando que a própria alma do ser humano é dividida em 613 partes espirituais. Estas partes espirituais correspondem a partes físicas do corpo que, por sua vez, correspondem às mitsvot. Portanto, cada parte da alma assim como cada parte do corpo tem uma mitsvá apropriada.

É importante também observar o número dos mandamentos que ordenam ações a não serem feitas — 365. Estas correspondem ao número de dias do ano do calendário solar, também 365. Um dos parâmetros do mundo no qual o ser humano vive é o tempo, e o judeu pode, através de suas ações, elevar, este tempo, conferindo a cada dia um conteúdo sagrado. As mitsvot têm este poder de elevar, enaltecer cada dia do ano assim como cada parte de nosso corpo e de nossa alma.
(Publicado na Revista Morashá em Dezembro 1997)

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